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 Leitos do Hospital

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A Pedra Filosofal
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MensagemAssunto: Leitos do Hospital   Sex 15 Fev - 18:46:40

Leitos

Uma sala ampla com várias camas confortáveis separadas e um criado-mudo em cada canto. Os lençóis, de linho branco, são anti-alérgicos, e há algumas cortinas para garantir uma certa privacidade para os pacientes ao redor da cama.

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Nathan Hayek Schratter
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MensagemAssunto: Re: Leitos do Hospital   Qui 27 Mar - 15:18:50

Minha cabeça doía. E não só a cabeça; todo o corpo e, mais especificamente, a barriga. Eu sentia como se alguém tivesse jogado alguma espécie de ácido em cima de mim, que penetrava minha pele e adormecia meus músculos e fazia arder o sangue que corria em minhas veias. Minhas pálpebras pareciam pesar mais do que meu corpo todo, e meus ossos lembravam-me geleia. Meus ouvidos eram surdos ao resto do mundo, não ouvindo nada que não quisessem ouvir. Era uma espécie de estado de transe que eu não conseguia entender e nem sair; e estava me agoniando. Tudo que eu conseguia ver era uma escuridão enorme e sem tamanho; um breu que parecia me engolir, procurando me aterrorizar. Não que eu tivesse medo de escuro. Ele era, de certo modo, reconfortante. Mas, quando menor, meu pai me ensinou que não podemos viver somente das sensações boas, e embora aquela tranquilidade inabalável me deixasse em paz, eu sabia que hora ou outra ela ia acabar; e queria ser eu a acabar com ela, pois assim eu não teria que achar um culpado, o que é realmente muito irritante as vezes. Reuni forças para abrir os olhos, mas não obtive sucesso na tarefa. Tentei balbuciar alguma coisa, mas estava tão molenga que tudo que saiu de minha boca foram alguns gemidos inaudíveis e sem nexo. Merda. O que raios tinha acontecido comigo? Meu cérebro não parecia controlar meu corpo e nenhum dos dois pareciam ser meus. Reunindo toda a força de vontade que eu possuía, apertei meus olhos e dei um impulso enorme, como quem se abaixa e flexiona os joelhos antes de pular, e abri os olhos.

De súbito, a luz me cegou. Apertei os olhos, mas não muito, pois uma voz estranha me dizia que se eu os lacrasse não conseguiria voltar a piscar. Com calma, novamente fiz uma tentativa de voltar a realidade, e desta vez, deu certo. A claridade, até então desconhecida a meus olhos, invadiu-me e deu forma ao local em que eu estava. Meu sentidos pareceram acordar, e logo uma enorme orquestra de "bipes" e vozes desordenadas tomaram meus ouvidos. Fiz uma careta e respirei fundo, tentando acostumar-me com as sensações que até pouco eu não sentia, antes de dar uma olhada no ambiente. Alguns minutos se passaram enquanto eu encarava o teto branco acima de mim, por fim acostumado com a luz forte que saia das lâmpadas. Virei a cabeça para o lado e dei de cara com um pequeno controle, do tamanho de um celular, que tinha apenas dois botões. Com esforço, trouxe meus dedos até ele, e apertei o botão de cima. O local em que eu estava deitado - uma cama, supus; afinal, o que mais poderia ser? - começou a erguer-se. Mantive o dedo no botão até que eu estivesse sentado de maneira confortável. Soltei o controle e, enfim, olhei em volta. Minha primeira reação foi unir as sobrancelhas e enrugar a testa em uma expressão de confusão. O ambiente em que eu me encontrava era amplo e claro. Havia várias camas iguais a minha para além de minha esquerda e além da direita também. Uma cortina poderia ser puxada, assim deixando-me só, mas ninguém pareceu se importar com a tal da privacidade. Mais ao fundo do cômodo tinha uma grande bancada, onde repousavam vários instrumentos médicos - alguns até reconhecíveis a mim, que um dia ambicionei ser medibruxo. A porta estava aperta para dentro, e mesmo de tão longe, consegui ver as palavras "envenenamento por poções ou plantas". Depois, examinei a mim mesmo e pude ver que, por debaixo do lençol fino que me cobria, estava trajando apenas - e quando digo apenas, digo realmente só - uma camisola branca lisa de hospital. Não precisei pensar mais nada para me dar conta de que estava no Saint Mungus, o hospital bruxo.

Mas o que eu fazia ali? Estava inteiro, apesar das dores fortes na cabeça e no estômago. Uma enfermeira de meia idade, gorducha e de poucos tufos de cabelo parou ao lado de minha cama. Por Mérlin, como ela era feia. Tentei ignorar seu pescoço que mexia como gelatina enquanto ouvia o que ela me dizia: eu me chamava Nathan - o que eu já sabia; afinal, quem é que não sabe o próprio nome? -, sofrera um envenenamento mágico e estava quase totalmente bem agora, e que ficaria cem por cento se descansasse mais. – Espera... – murmurei, levantando a mão. As palavras que foram cuspidas em mim - na verdade, não só palavras, se é que me entende - me deixaram tonto por um momento. Respirei fundo e abaixei a mão. – Eu fui envenenado? O.K, mas como? – questionei. Eu não conseguia lembrar de muita coisa, mas isso devia-se ao fato de recém ter acordado; pelo menos foi o que a velhota me disse. Assenti, evitando ao máximo levar minha mão até minhas bochechas molhadas de cuspe. – 'Tá. – falei simplesmente, indicando que não queria mais falar com ela e que não tinha mais perguntas. A gorducha saiu dali, dizendo que se eu precisasse de alguma coisa, era só chamar. – Até parece. – falei ao notar que ela se afastara o suficiente. Chamá-la para me atender seria o equivalente a pegar uma mangueira e mirar em meu rosto; ou seja, nada eficiente naquele caso. Recostei-me na cama e pus o braço sobre os olhos, bloqueando a luz excessiva tentando lembrar-me do que acontecera.
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Beatrice Lefevre McBride
St. Mungu's
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MensagemAssunto: Re: Leitos do Hospital   Qui 27 Mar - 22:18:37



Dizer que o hospital estava uma verdadeira loucura seria pouco, perto do estado atual. Havia mais pacientes de uma vez do que víamos em um plantão inteiro, eu não fazia a menor ideia do que havia acontecido, mas me adiantei e atendi durante horas a fio pacientes que não faziam parte da minha área, afinal de contas eu era Pediatra, mas na Emergência isso nem sempre era levado em consideração. Vi mais ossos e sangue do que o habitual, e honestamente esse habitual se estendia desde o meu primeiro ano depois de formada. Atendi pelo  meio do caminho algumas crianças, sempre era chamada quando elas apareciam, assim como a outra pediatra que estava dando plantão, mas de um jeito ou de outro não conseguia mais distinguir idades, em um determinado momento eu só sabia que eram pessoas e mais pessoas.

Exaustão, a palavra definia meu estado físico e mental. Ouvi uma das enfermeiras me chamar quando eu estava encostada em uma das paredes, respirando sozinha. Fui informada que todos os pacientes estavam encaminhados e eu era a única médica no plantão e desocupada nesse momento, mas ela me daria cobertura. — Obrigada — Murmurei agradecida e me arrastei para a ala dos funcionários, afim de tomar um banho e colocar um jaleco que não estivesse todo borrado com sangue. Quando saí do banho já me sentia renovada, apesar de saber que meu cansaço extremo estava apenas mascarado por baixo da minha camada grossa de profissionalismo. Aproveitei o momento e fiz a coisa mais sensata do mundo, tomei seis xícaras de café sem açúcar. Quando finalmente voltei para o "mundo", atravessando os corredores onde meus passos apressados ecoavam audivelmente, fui interceptada por uma enfermeira quase histérica. Joan era tudo menos bonita, a enfermeira rechonchuda segurou meu pulso, balbuciando algo sobre uma criança na enfermaria do terceiro andar, perdida por conta da confusão que se fez pelo dia.

Quando cheguei na enfermaria encontrei um garotinho ruivo, com as marcas das lágrimas já secas pelas bochechas. — Oi pequeno, eu sou a Béa, e você? — Sorri para o garotinho, usando meu apelido que sempre deixava as crianças um pouco menos temerosas, afinal de contas tirava toda a seriedade do meu nome. Joan se adiantou para me entregar a ficha do menino, mas recusei rapidamente, esperando que ele falasse comigo. — Christopher — ele disse, timidamente. Notei que segurava o pulso com força, devia estar sentindo muita dor ali. — E o que foi que aconteceu com você, Christopher? — Ele ponderou por um longo instante até finalmente me responder, outra vez de uma forma curta e bem tímida. — Caí — Sorri carinhosamente para ele, estendendo a mão e cuidadosamente tomando o pulso dele para um rápido exame de toque, assim que toquei sua pele ele fez careta de dor. — Eu não vou te machucar, ta bom? — Ele pareceu acreditar em mim e reunir forças para não fazer careta. Posicionei o pulso dele, reto sobre a cama, enquanto pegava minha varinha. — Ilcorporis — Observei atentamente o pulso de Christopher enquanto trabalhava o raio x. — Pode abrir os olhos, já acabou — Murmurei rindo quando notei que ele havia fechado os olhos com força. — Não está quebrado, então vai ficar tudo bem. A Joan vai te levar para fazer um curativo, é uma faixa que vai ser enrolada no seu pulso e palma da mão — demonstrei a região apontando para a minha própria mão e fingindo enrolar alguma coisa ali. — Vai imobilizar o seu pulso e a dor vai diminuir, ta bom? — Tomei o prontuário dele nas mãos, rabiscando as instruções e diagnóstico, além de um analgésico, antes de entrega-lo aos cuidados da enfermeira.

Segui atrás dela pela enfermaria, quando passamos por um leito ocupado por um homem adulto, ele cobria o rosto com o braço o que ocultava qualquer característica que meu olhar curioso pudesse buscar em uma rápida inspeção. — Já volto para cuidar de você — Cuspiu a enfermeira quando passamos ao lado da cama dele, senti certa pena do paciente que estaria nas mãos pouco cuidadosas dela. Para a minha surpresa ele também não parecia querer aquelas mãos, pois contrariando qualquer possível efeito colateral moveu bruscamente o tronco, com o braço estendido e segurou meu pulso. Olhei de relance para a porta a tempo de ver a enfermeira saindo com Christopher, e só então consegui olhar para o paciente. Ele estava péssimo, e isso não é exagerar sua situação. — Não me deixa sozinho com ela, por Merlin! — Havia uma súplica impossível de negar tanto em seu olhar quanto em suas palavras, e eu sempre fui mole demais tanto que cuidava de crianças e costumava ser uma médica doce. Naquele momento eu fiquei em frente a um conflito interno. — Não estou entendendo. O que é isso? — Olhei para a mão fechada em torno do meu pulso, que não parecia querer afrouxar o aperto por nada nesse mundo. Ele engolia com dificuldade a saliva que se formava em sua boca, e tinha boa parte do rosto sujo, assim como suas vestes. Não esperei a resposta, chamei os enfermeiros que estavam do lado de fora com um grito habitual. — Petter, Bruce, levem o paciente para o meu consultório e preparem os materiais de higiene. — Coloquei a mão sobre a dele, e tentei fazer com que ele me entendesse, focando meu olhar no dele. — Me solta e eu te atendo no meu consultório — E com um minuto de atraso, graças a um minuto de pensamento atrasado, ele soltou meu pulso e se deitou novamente, deixando que os enfermeiros movessem a cama e o levassem sobre rodinhas pelos corredores.

Já dentro do meu consultório, cheio de enfeites e decorações para distrair crianças doentes, peguei um punhado de gaze e mergulhei em água limpa para só então passa-la sobre o rosto dele, limpando cuidadosamente toda a "meleca" que havia sido formada. Quando fiquei satisfeita com a higiene do meu recém adquirido paciente, ignorei o formulário e me sentei na cadeira mais próxima. — Espero que você não seja um caso terminal cujo tratamento está sendo interrompido por uma pediatra boboca — Cuspi, sentindo finalmente o peso do cansaço que se acumulara durante todo o plantão. — Me conta devagar o que foi aquilo e o que você tem. — Ele pareceu confuso no primeiro momento, mas logo que pensou e colocou sua respiração em um compasso suave, falou comigo calmamente.




Beatrice Lefevre McBride
PEDIATRA DO ST. MUNGUS | LADY MCBRIDE | COBRINHA

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